quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Violins - Tribunal Surdo (2006)


Violins é uma banda goiana que, na humlide opinião deste escritor, está entre as 3 melhores bandas nacionais pós Legião Urbana (a banda máxima em se falando de Brasil). Tem 4 albuns lançados, maravilhosos, diga-se de passagem; cada qual abordando uma temática diferente, prova cabal de que os seus integrantes procuram seguir por caminhos diversos à cada novo trabalho.

Hoje, especialmente, falarei do Album "Tribunal Surdo", que, penso eu, é o disco mais polêmico da banda. Um disco que fere pela sinceridade, pela forma com a qual trata a violência, a futilidade com a qual alguns dos nossos maiores absurdos são abordados.
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A primeira faixa, "Delinquentes Belos", revela bastante do que está por vir: "Sim, cada um é um assassino sem coração. Esperando pra rir, dentro de um camburão, com sangues nas mãos." E, quando você pensa que já ouviu tudo, que não há mais nada de podre, eís que Beto (vocalista da Violins), encerra, apontando-nos o dedo: "Nós somos delinquentes belos em mundos possíveis. Nós somos imperadores sérios em quartos de hospícios. Nós somos assassinos ébrios em frente os seus filhos."
Ufa! Parece que acabou...
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A segunda música, "O anti-herói (parte I)", agride à qualquer um. Ela choca, principalmente, pela verdade que encerra, aquela verdade perigosa que, no fundo, nem sequer assumimos a nós mesmos, uma verdade quase que inconsciente. Segue-se um trecho: "Tranque a porta que eu já ouvi barulho lá fora, e pode ser que queiram roubar a minha moto nova, e queiram te violentar, mas isso nem importa..."
E, a parte que eu mais gosto, talvez o verso mais sincero que eu jamais tenha ouvido: "E de repente, eu pensei que puta morte bela se eu morrer, pra defender os bens que eu comprei à prazo e a prestação; e fingir que é teu meu coração, fingir morrer por nós..." Essa frase carrega em si um pouco dos ideias que a sociedade consumista nos impõe, pelo menos é assim que eu a interpreto.
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A terceira faixa, "Campeão Mundial de Bater Carteiras", como o próprio título já anuncia, é uma canção que foca o teor esportivo à que práticas, no mínimo condenáveis, estão sendo sujeitadas. O destaque, pelo menos de minha parte, fica no verso que engrandence os batedores de carteiras: "Glórias ao Campeão Mundial de bater carteiras!"
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A quarta música, "Grupo de Extermínio de Aberrações", é talvez a mais polêmica da banda. Alguns disseram que a letra era brilhante, enquanto crítica social e moral; outros, porém, a condenaram, estes certamente não entenderam a canção.
Bom, a letra fala por si só: "Atenção! Atenção! Prestem atenção ao que vamos dizer. Nós somos o Grupo de Extermínio de Aberrações..." Ou, a minha parte predileta: "E eu garanto que os seus filhos agradecem por crescer sem ter que conviver com bichas e michês, e pretos na tv, discípulos de Che, putas com HIV."
A canção fere, principalmente quando se é um discípulo assumido de Che; mas, como disse anteriormente, a letra é uma crítica ao que talvez seja nosso futuro, imagino eu.
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A quinta faixa, "Missão de paz na África", fala da alienação da juventude, ou da maioria dela, para não ser totalmente injusto. (...) O eu-lírico, apresenta-se muito despreocupado com a situação do 'amigo', que está indo para a África numa missão de paz.

"Quando você me falou que ía se alistar, pra lutar pelo bom, eu tava tonto num bar, e eu não pensei que você já falava mesmo em lutar. Você querendo morrer, e eu pensando em transar."
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A sexta música, "O anti-heroi (parte II)", fala abertamente, e de uma forma que dói nos ouvidos, sobre a violência machista. Na canção, nos é narrada uma briga entre um casal, em que no final, o sadomasoquista afirma: "E eu quero mais é te comer em paz, sem ouvir um gozo, sem ouvir 'socorro'!"
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Na sétima canção, "O interrogatório", entende-se (pelo menos no meu caso) que é uma letra que fala sobre a superficialidade das pessoas, das relações humanas, enfim... Como, se na verdade, nada do que dissemos fosse sincero, como se buscássemos, a todo instante, seguir em frente, fingindo que tudo está indo bem...
"Tudo bem? Quantas vezes você responde 'não'? E quantas vezes 'bem' pra continuar andando, sem dar explicação, e sair da prisão!"
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Na oitava faixa, "A lei seca", Beto volta a tratar a violência com desdém, transformando-a numa coisa trivial... "Quem você pensa que é pra pôr o dedo na minha cara assim? Pensa que só porque é mulher, eu não vou reagir?!"
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A nona música, "Solitária", embora tenha alguns riffs animados - lembrando bandas havaíanas, se distancia muito de qualquer tipo de canção feliz. Fala, basicamente sobre solidão, uma solidão quase que voluntária...
Bom, não postarei nenhum trecho porque, de verdade, não simpatizo muito com ela. Se sentires curiosidades, procurem no myspace, o link estará logo abaixo.
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A décima canção, "Piloto Russo na Aldeia Suskir", conta a história de um piloto das Forças Armandas Russas, que caiu - abatido por caças turcos - nesta tal Aldeia. E que para a sua surpresa torna-se um semi-deus, adorado por todos os habitantes. Detalhe: o nosso piloto é um sem-deus, um ateu; como o trecho a seguir nos indica: "Eu nem tenho um deus pra adorar, como foi que eu me tornei deus aqui? Me diz! Que contradição, não é algo que se explique de imediato. Quando dei por mim eu era um deus-suskir."
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A décima primeira faixa, "22", fala, penso eu, sobre a atitude de alguns em querer culpar à um deus por seus erros, suas falhas.
"É que eu comprei uma 22 pra mim, e eu nem treinei, nem sei como te acertei daqui. Foi Deus quem mirou por mim".
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A décima segunda canção, "Ford", fala sobre um sequestro, que acaba ocasionando um acidente de carro. Nesta canção, gosto muito da forma com a qual o "marginal" é descrito, um tipo de comediante nato, que nunca perde o bom-humor. "Não sinto a minha perna eu só sinto o ar, e é tão bom poder respirar. Eu nunca pensei que eu pudesse gostar, e que eu pudesse estar a sós com você. Eu preciso saber quem é você! Desculpe o punhal, é meu jeito de abordar!".
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A penúltima música, "Saltos Ornamentais Árabes Para Treinamento de Atiradores Americanos, é uma bela canção, a começar pelo título. Bom, sempre admirei a forma com a qual o Violins tratou a violência, isto é, a forma com a qual eles transformam-na em algo notório. "Veja os corpos pulando no ar; então atire no primeiro que olhar." E, mais a frente, a forma com a qual o "Atirador" trata a si proprio, vangloriando-se: "Dos atiradores de Elite eu sou o primeiro lugar, e eles vem me perguntar como faço pra acertar os homens que pulam de lado; e eu não sei - é talento inato!".
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A última faixa deste maravilhoso album, "Manicômio", fala sobre a crise de um jovem que vem sofrendo com a delinquencia (ou não).
"Então a porta se abriu e alguém me pediu pra ficar calmo. 'Ficar calmo? Quem é louco aqui?' - falei pra distrair e ninguém quis sorrir..."


Enfim, "TRIBUNAL SURDO", é um disco clássico, aquela obra-máxima, que ficará atualizada por anos, séculos, milênios, pois a violência, que é seu maior componente, jamais será apagada.
Prometo (a mim mesmo) que em breve escreverei sobre "Aurora Prisma", "A Redenção dos Corpos" e "Grandes Infiéis".


E aqui, http://www.myspace.com/violinsbr está tudo, ou quase tudo, sobre uma das melhores bandas do cenário nacional.

Friedrich Wilhelm Nietzsche

Quantas vezes mais terei de dizer que Nietzsche salvou minha adolescência - e, por que não? - minha vida! Pensar que ele me surgiu da maneira mais inusitada, mais inesperada... E, desde então, considero-o meu acaso predileto, sem o qual talvez eu jamais pudesse morrer feliz!

O que me aproximou de sua filosofia sempre foi - e não o escondo de ninguém - a forma veemente com a qual ele se empenhou contra a moral cristã, esta farsa de milênios.

E, além do mais, eu sempre admirei a sua forma zangada de escrever.
Ah! E que belos e poderosos são seus aforismos - que, segundo o próprio Nietzsche, é a habilidade de dizer em 10 frases o que os outros dizem num livro... o que os outros não dizem num livro!

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Li e reli o tal Zaratustra umas três vezes, bem lentamente, analisando cada parágrafo, cada vírgula, cada sentença, verbo por verbo, substantivo por substantivo, etc, etc. E toda vez, ao cabo do livro, eu me sentia perdido, atônito. "Hã?", era a única coisa que eu conseguia dizer.
Mas, falando sério, que belo livro, que leitura maravilhosa! Talvez este seja o maior presente que a humanidade já recebeu.

E o que Nietzsche diz a respeito de seu Zaratustra? Melhor que o diga com suas próprias palavras:
"Ele está atirado sobre uma folha com a assinatura: 6.000 pés além do homem e do tempo" (Ecce Homo - de como a gente se torna o que a gente é, p.110)

"Aqui não fala um fanático, aqui não se 'prega', aqui não se exige fé: os ensinamentos caem de uma abundância inesgotável de luz e felicidade profunda, gota a gota, palavra por palavra - uma lentidão suava é a velocidade dessa conversa. Coisas desse tipo só logram ser alcançadas para os melhores dentre os eleitos; é um privilégio sem igual, poder ser um ouvinte aqui; não é a todos que é dado ter ouvidos para Zaratustra... E, com tudo isso, Zaratustra não é um desencaminhador?... Mas o que ele mesmo diz quando volta pela vez primeira para a sua solidão? Exatamente o contrário daquilo que um 'sábio', um 'santo', um 'salvador do mundo' ou outro décadent qualquer haveria de dizer em semelhante caso... Ele não apenas fala diferente, ele também é diferente...

- Eu vou sozinho, pois, meus discípulos! E também vós ireis embora sozinhos! É assim que eu quero e deve ser.
Afastai-vos de mim e defendei-vos contra Zaratustra! E, melhor ainda: senti vergonha dele! Talvez ele vos haja enganado.
O homem do conhecimento não tem apenas de amar seus inimigos, ele também tem de poder odiar seus amigos.
A gente retribui mal a um professor, quando permanece sendo sempre apenas seu aluno. E por que vós não haveríeis de querer arrancar os louros da minha coroa?
Vós me venerais: mas como, se vossa veneração um dia irá ao chão? Guardai-vos de não serdes abatidos por uma coluna!
Vós dizeis que acreditais em Zaratustra? Mas que importa isso a Zaratustra!? Vós sois meus crentes, mas que importam crentes!?
Vós ainda não haveís vos procurados: aí encontrastes a mim. É assim que fazem todos os crentes; e por isso valem pouco todas as crenças.
Agora eu vos ordeno: perder a mim para vos encontrardes; e apenas quando todos vós tiverdes me renegado, é que haverei de quer voltar a vós..." (Ecce Homo, p.19)

(...)

"Deus Todo-Poderoso, lamento ser agora um ateu, mas o Senhor leu Nietzsche? Ah, que livro!" - John Fante

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Fahreinheit 451 - Ray Bradbury - (Eu aconselho!)

Quando caiu em minhas mãos, nem sequer imaginei do que se tratava. Relutei algum tempo em lê-lo; com medo, confesso, de que se tratasse de mais uma história bizarra à cerca da vida de um bombeiro que por diversas vezes se viu metido em encrencas. Ah! Como eu estava enganado.

E, para minha eterna felicidade, ainda bem que resolvi ler o prefácio!

(...)

Fahreinheit 451, é um livro especialmente delicioso, uma leitura prazerosa, viciante.

Narra uma história baseada num futuro não muito distante, em que os livros configuram uma grande ameça à sociedade, pois são vistos, agora, como um mal, atráves do qual as pessoas se tornam infelizes. O sarcasmo fica por conta do fato de que os Bombeiros - outrora designados à apagar os incêndios, agora são os responsáveis por queimar qualquer tipo de material impresso.

O romance é centrado no bombeiro Montag, símbolo da sociedade ideal, um homem trabalhador, fiel às regras impostas pelo Estado, casado com Millie, uma mulher futil, que vive sentada à frente da t.v, e que, para sentir-se melhor, usa e abusa de comprimidos antidepressivos.

Porém, num dia aparentemente normal, Montag conhece Clarisse - uma jovem encantadora, extremamente social -, que o faz questionar algumas coisas que lhe pareciam, até então, absolutas, inquestionáveis. E então, apartir desse encontro, a vida de Montag começa a mudar.

(...)

Numa ocorrência, quando são chamados à casa de uma senhora que escondia consigo alguns livros, Montag percebe que há algo de errado, quando a velha senhora nega-se a sair da casa, optando, assim, por ser queimada junto com os livros.

Nosso personagem principal começa, então, a se perguntar o que é que os livros tem de tão bom assim. "Ora, alguma coisa de especial eles devem ter, se não, por que se arriscar tanto por um amontoado de páginas?".

Montag, num ato decidido, resolve levar consigo um livro. Tiraria, a qualquer custo, aquela dúvida. Acontece que o nosso herói apaixona-se pela literatura, entrando num conflito existêncial, já que a sua profissão é eliminar aquilo por que tem tanto amor.

(...)

Montag opta por abandonar a profissão. Resolve anunciar sua saída ao capitão dos bombeiros, este, por sua vez, aceita, pedindo apenas que Montag acompanhe-0 neste último caso. O mais engraçado (e triste ao mesmo tempo) é que o caminhão do corpo de bombeiros dirige-se à casa de Montag, que ao perceber o que estava acontecendo diz: "Mas esta é a minha casa!", e recebe, como resposta, o sorriso sarcástico de Beatty, capitão da companhia.

Ora, nosso Montag havia sido traído pela mulher!

(...)

Os bombeiros entraram na casa, revirando-a de ponta-cabeça, atrás de livros. Beatty, sereno, diz: "O Montag sabe o que procuramos, e como esta é a casa de Montag, melhor seria que ele ajudasse-nos nessa procura." Montag, então, pega todos os livros que havia escondido e os atira no chão, onde seriam, em seguida, queimados para o bem-estar de todos.

Quando todos os livros estavam ali, no chão, esperando pelo fogo, pelas cinzas, Beatty, segurando o incinerador se dirige à Montag, e diz: "Faça-me o favor!".

Montag, por sua vez, pegando o incinerador, sem pensar duas vezes, atea fogo no capitão. Ao que, nesse momento, os outros bombeiros fogem, desesperados. "Ele está louco, Montag eulouqueceu!"

(...)

Nosso herói foge, sem saber ao certo pra onde ía. Quando se dá conta, percebe que está num parque, à beira de um lago. Lá encontra pessoas adoráveis, chamadas de "homens-livros", a parte realmente linda da história começa, então, a ser narrada, muito embora o romance, à essa altura, já esteja no fim.

Acontece que os "homens-livros" são pessoas que de tanto amor aos livros, resolveram, devido à censura, decorar seus romances favoritos, tornando, assim, impossível que as histórias de séculos, milênios, pudessem se perder para sempre.

E assim, não tão bruscramente, nem tampouco secamente, a história de Montag chega ao fim. Ou ao seu início, depende do seu ponto de vista!

(...)

O que importa é que vocês, meus caros amigos, leiam à esta belíssima obra-de-arte. Ah! E se acaso desejarem, tenho comigo um exemplar. Ficaria felicíssimo em emprestá-lo.


"Onde se queimam livros, acaba-se por queimar homens!" - Heinrich Heine -









domingo, 23 de agosto de 2009

A Clockwork Orange

Nota:
Sempre quis escrever sobre Laranja Mecânica, porém nunca tive coragem, tanto porque o considero o melhor filme de todos os tempos, como porque, talvez, já não haja mais o que dizer a cerca de tal obra-prima. Entretanto, sinto-me obrigado a fazê-lo. É como se eu tivesse uma dívida de gratidão... não sei.




A Clockwork Orange (A Laranja Mecânica), é um filme de 1971, dirigido por Stanley Kubrick (o que por si só já é um belo cartão de visitas) e estrelado por Malcolm McDowell. A película é ambientada na Londres, num futuro não muito distante.


Alex, nosso personagem principal, é o típico anti-herói, um adolescente ávido por violência que, por diversas vezes, apresenta-se sarcástico, narcisista, apolítico, destrutivo e sádico; um jovem que despreza os valores familiares, os princípios éticos e morais e que, acima de tudo, despreza a sociedade.


Entretanto, embora possa não aparentar, Alex é um rapaz inteligentíssimo, haja vista é fascinado por música clássica, especialmente a de Ludwig Van Beethoven.


(...)






Alex e seus três drugues, Pete, Georgie e Dim, são exímios arruaceiros. À noite saem para aprontar, o que consiste em estuprar devotchkas (mulheres), bater em velhos, bêbados, numa palavra, ir à desforra sobre a sociedade. Porém, antes de sairem aprontando por aí, passam na Leiteria Korova (o que equivale à um bar nos dias atuais), onde bebem seus delíciosos leites com velocete, sintesmeque ou drencrom que, nas palavras do próprio Alex, "aguça os sentidos, e deixa você pronto para um pouco da velha ultra-violência".


(...)


Acontece que Pete, Georgie e Dim, acabam enfurecendo-se com o espírito de líderança de Alex, bem como com seus excessos e, então, decidem traí-lo, armando uma cilada para que seu vássalo seja preso. Pois bem, o plano fora desenvolvido com perfeição, e o nosso estimado personagem acaba sendo preso.


(...)


Após mais de dois anos de pena cumprida, Alex fica sabendo de um programa experimental de controle de agressividade, utilizado pelo Governo, que promete a liberdade ao paciente em no máximo 15 dias.


Alex consegue volutariar-se ao experimento. A Técnica Ludovico consiste, basicamente, à utilização de drogas em conjunto com algumas sessões de cinema. Durante estas sessões, Alex assiste aos mais variados filmes, como ele mesmo narra:


"- Eu videei filmes mesmo. Fui levado, irmãos, para um cinema diferente de todos que já videei. Fui enfiado numa camisa camisa-de-força; o meu gúliver foi amarrado a um apoio do qual saíam muitos fios. Aí puseram grampos nos meus olhos, para que eu não pudesse fechá-los, por mais que tentasse. (...) Achei tudo muito dóido, mas deixei que fizessem o que queriam fazer. Para ser um maltchique livre novamente em 15 dias eu estava disposto a aguentar muita coisa, oh meus irmãos. (...) O primeiro filme era muito bom, bastante profissional, como aqueles de Hollywood. O som era muito horrorshow. Dava para esluchar os gritos e gemidos com muito realismo, e os maltchiques toltchocadores ofegando ao mesmo tempo. E aí, imaginem só, o nosso bom e velho amigo, o vinho de barril bem tinto, o mesmo em todo lugar, como se fosse feito por uma firma só, começou a escorrer. Era lindo. É engraçado como as cores da vida real só parcem realmente de verdade quando você as videia na tela."








Todos os filmes à que Alex assistia eram sobrecarregados de violência e ele, de repente, começa a se sentir enjoado. Segue o texto, no original:


" - O tempo todo, enquanto assistia, eu começava a me dar conta de que não me sentia tão bem. Atribuí isso a toda aquela comida nutritiva e às vitaminas. Tentei esquecer, concentrando-me no filme seguinte... que mostrava uma jovem devotchka levando o velho entra-sai-entra-sai, primeiro de um maltchique, depois outro, e depois outro. Lá pelo sexto ou sétimo maltchique rindo e esmecando, e mandando ver, eu comecei a passar muito mal. Mas não podia fechar meus glazes. E, mesmo quando tentava desviar o glazar, eu não conseguia sair da linha-de-fogo daquele filme. "
(...)
Alex passa então, com o tratamento, a sentir insuportáveis crises de naúseas toda vez que sente vontade de agir violentamente. E, para sua eterna tristeza, durante o tratamento Ludovico, acidentalmente havia sido introduzida a 9ª sinfonia de Beethoven, o que agora o impossibilitava até mesmo de ouvir a música que tanto estimava.

O que importa dizer é que ele foi solto. Estava novamente livre!

(...)

Já no XXXI ato, após ter ido parar na casa de um escritos a quem outrora tivera feito mal, Alex é testado, e como ele mesmo narra:

" - Acordei, sentindo a dor e a naúsea em cima de mim, como um animal. Aí eu descobri o motivo. A música que estava vindo do chão, era do nosso velho amigo Ludwig Van. Era a temida 9ª sinfonia (...) De repente, videei o que eu precisava fazer, e o que queria fazer. Era acabar comigo mesmo. Me zerar. Ir embora para sempre deste mundo perverso e cruel. Um momento de dor, talvez... e depois o sono. Para sempre, todo o sempre. "

Alex decide, então atirar-se da sacada.

" - Eu pulei, ó meus irmãos, e queda foi feia. Mas não me zerei. Tivesse eu me zerado, não estaria aqui para contar o que contei.
Voltei à vida depois de um longo e negro intervalo, que poderia ter durado um milhão de anos."

(...)

Já no Hospital, Alex recebe a visita do Ministro do Interior - representante do Governo -, que com medo de que a população devido à tragédia vivida por Alex, se posicione contra o Partido, decide fazer uma proposta à Alex. Este último deveria apoiar o Governo em sua campanha eleitoral, enquanto o Partido se encarregaria de proporcionar-lhe uma vida digna, uma bela idenização e um bom emprego.

Alex, demonstrando todo seu sarcasmo, toda sua maneira apolítica de viver, aceita a proposta.

(...)

E o grand finale, engendrado maravilhosamente bem, mostra-nos Alex transando (estuprando) uma jovem devotchka, ao que irônicamente Alex, nosso tão magnífico anti-herói, diz:

" - Eu estava curado! "