terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Presentes... aquilo que de melhor se pode ganhar.

Aos amigos, os presentes, ou melhor, os filmes:


* Diego: à você, "O Clube da Luta"
- para que saibas onde é que a insônia há de te levar.

* Bruno: para você, "O Terminal"
- porque, às vezes, é só uma questão de saber esperar...

* Mestre: a ti, o lindo "Conta Comigo"
- pois não vejo nada capaz de melhor nos descrever

* Princesa: ofereço lhe "O Labirinto do Fauno"
- afinal, a história pode mesmo ser real. Quem vai saber? Quem provará o contrário?

* Gê: à você, "Brilho eterno de uma mente sem lembranças"
- até porque sempre estarei lhe esperando em Montauk.

* Tiago: para ti, caro amigo, "Magnólia"
- pois acaso não será linda a Redenção?

* Deni: lhe presenteio com "Closer - perto demais"
- pelo encanto que possuis por belos diálogos.

* Robson: aceite "Quem quer ser o milionário"
- porque é necessário viver... mais que isso, é necessário adquirir experiência para vencer.

* Léo: ofereço-lhe "Os Goonies"
- por sermos crianças a descobrir um mundo de fantasia e perigo.

* Dani: a ti, "Doce Novembro"
- pois talvez este seja meu último desejo: venha ser meu mês derradeiro!

* Talita: aceite o clichê, fique com "Um amor para recordar"
- porque não importa quanto tempo passe...

* Rafa: para você, "As cinco pessoas que você encontra no céu"
- afinal, não é nada interessante ser previsível.

* Ivan: para tu, "Tudo por um segredo"
- pois a vida não passa de uma comédia barata.

* Prof. Valmir: ao senhor, "Sociedade dos Poetas mortos"
- porque foi, sem dúvida, o grande Mestre...

* Jú: à você, minha pequena, o adorável "Pequena Miss Sunshine"
- pois há muita semelhança entre vocês duas.

* Mara: para ti, "A vida de Brian"
- porque para você (e não só para você) não passo de uma piada, uma sátira, nada além disso.

* Brubb's: à vossa senhoria, "Vanilla Sky"
- a eterna confusão entre o que era sonho e o que, de fato, era real.


De qualquer maneira, que possamos, todos, ter um ótimo 2010!

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Quem vai saber? ...

De repente, lá estava 'ela'. Linda; cabelo solto ao vento; olhar penetrante; maquilagem leve; doce perfume (FarWay, se a memória não me falha); unhas fatalmente pintadas de negro.
E foi como se eu avistasse a Mulher dos meus sonhos, por quem eu sempre estive esperando, disposto à lutar, por quem eu novamente poderia vir a me entregar, sem medo, de corpo e alma.

Sorrindo, caminhou em minha direção. Receoso, dei um passo à frente. Num gesto cortês, beijei-lhe a mão direita. Em seguida, temendo que ela pudesse fugir como de fato todas as outras fizeram, abracei-a com força. Sussurrei algo ao ouvido. Tolices, certamente.

Perguntei como havia sido a viagem, ela me respondeu que tudo ocorrera bem, como o esperado. Conversamos por horas à fio... sem de fato perceber que o tempo passara e que já era noite. Resolvi levá-la para casa, mas antes faria o que há muito estava esperando...

No momento do tão aguardado beijo, acordei agarrado ao travesseiro. Acreditem, não havia nenhuma "Princesa Encantada", nenhum "encontro espetacular", o que havia, de fato, era uma doce lembrança de algo que não aconteceu... como tudo aquilo que nos parece fantástico.

Divagação

Eu estou quase entrando na minha segunda década de vida e, ainda assim, quando busco uma definição exata para o que sou, acabo sempre esbarrando em adjetivos opacos, vázios... incapazes de precisar a complexidade de sentimentos, desejos, dores e amores que encerro.




segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Anticristo - Lars Von Trier


Atônito.
Foi assim que me senti ao final do filme do tal Lars Von Trier. Acontece que eu ainda não vi seus trabalhos anteriores como os tão aclamados "Dogville", "Dancer in the dark" e "Idioteme", o que é um erro de minha parte, confesso. Mas, digamos que apesar do pecado, comecei bem...

Antes de qualquer coisa vale ressaltar a devoção de Lars à Nietzsche (o que nos torna irmãos decadent's) e assim sendo, creio que o filme citado seja uma linda homenagem ao filósofo alemão.
Sem mais delongas, que se vá direto ao ponto: o filme, ou a sua essência teórica, talvez encontre bases no ensaio de Nietzsche, "Culpa, má consciência", do livro "Genealogia da Moral", e no livro "Anticristo".

(...)

O prólogo do filme (que é dividido em capítulos) sozinho talvez já mereça um Oscar pela direção fantástica, pela fotografia, pela colagem, pela música... enfim... é uma obra-prima...
Filmado em preto-e-branco, em câmera lenta, ao som magnífico de "Lascia Ch'io Pianga", de Händel, esse prólogo é de longe uma das coisas mais belas que já vi no Cinema, de maneira que assemelha-se à poesia, de tão apaixonante que soa.
Somos lançados à mais pesada (leia-se afável) cena de sexo de toda a história; em contraste com tais movimentos, a jovem criança a brincar, sem que assim fosse censurada pelos pais, já que ambos estão presos ao prazer sexual, incapazes de sequer ver o filho se debruçar na janela do apartamento, e assim adverti-lo. A tragédia pré-anunciada se concretiza, a criança cai do prédio e morre; assim o sexo fica associado à dor.

Os dois próximos capítulos servirão basicamente para trabalhar o luto do casal, "Ele" e "Ela" (os personagens não tem nomes).
Ela (Charlotte Gainsbourg, sem medo, numa atuação fantástica) acaba tendo sérios problemas para enfrentar o ocorrido, já Ele (Willem Dafoe), um psicoterapeuta, decide 'tratar' a mulher, o que segundo um conceito defendido por estudiosos da mente é um erro, já que não se deve 'analisar' alguém por que se tenha forte afeição.

O casal então parte para a floresta, mais especificamente para o Éden, local onde Ela sente-se insegura, frágil, com medo...Ele, então acredita que aí poderá 'curá-la', libertando-a de toda dor, toda ansiedade causada pela morte do filho. Tal Éden em muito se difere da concepção que todas as religiões monoteístas tem, uma vez que estas acreditam que tal lugar é a habitação primeira do Homem, o paraíso realizável...
Mas, acaso, não será o Éden de Von Trier o verdadeiro e único Éden?! Ora, pois o que serão a serpente e a maça senão o Caos imprimindo o desejo e a confusão no Homem? E o que é que a Raposa diz quando encontra-se com Ele? "O Caos reina!" (...)
Este é o ponto crucial, porque a partir da chegada do casal ao Éden é que os desejos mais demoníacos e intrínsecos na mulher começam a aparecer, transformando assim a personagem.
Von Trier nos questiona, nos convida a participar da película, fazendo com que tomemos atitudes severas com os personagens, para que em seguida - numa reviravolta - tais atitudes tornem-se insustentáveis, precipitadas, tolas.

É um filme desaconselhado para muita gente... tanto porque é um filme violento e que fere os conceitos éticos e morais de muitos, como porque tem cenas de sexo explícito, mutilação genital e muita, mas muita falta de pudor.
Mas é um filme lindo, acima de tudo.