Um sentimento de perda pairava no ar.
Sobre a mesa, dois copos de água ainda pela metade.
Lembranças de uma semana perfeita norteavam o casal. A panela de pipoca ainda ali. A cama onde passaram a última noite, ainda desarrumada, lhes recordava a conversa animada e a quantidade de risos proporcionados.
Tudo havia sido tão mágico, por que precisava então acabar assim, tão de repente? Por que não esperar mais uma semana, um mês, ou dois talvez, quem sabe um ano, uma década, ou um século, por que não?
Mas, infelizmente, era hora de partir.
Ele arrumava a bagagem, procurando pelos cantos do quarto algo que jurava ter consigo, mas que não podia saber o que era.
Ela, apreensiva, lhe dizia o quanto havia gostado da visita e que, se possível, em breve iria visitá-lo, se assim ele quisesse.
Um silêncio perturbador tomou conta do quarto. De repente, eis que Ela começa a cantarolar: "Vem me abraçar e dizer que eu sou o seu amor..."
Um sorriso lhe cobria a face. E que sorriso era aquele, pensava Ele.
Ela então caminha em sua direção, olhando fixamente em seus olhos. Pega em sua mão, lhe beija na testa, e diz:
- Promete que voltas?
- Sim, prometo. - responde Ele, afagando-lhe a face.
- Eu espero por isso, meu bem.
- Voltarei o mais breve possível, acredite. - insiste Ele
- Eu acredito em ti, meu anjo. Mas diga que da próxima vez vens para ficar, definitivamente!?
- Sim, para ficar, definitivamente. Me pedistes em casamento, não se recorda?
- E minha proposta ainda está de pé. E estará até que a aceites.
- Você há de me esperar?
- SEMPRE!
E assim, Ele se sentiu seguro e enfim preparado para deixá-la; tendo a absoluta certeza de que em breve estaria de volta.
Já no aeroporto, um afetuoso abraço e um delicado beijo. E, ao invés do "Adeus", um esperançoso "Até logo".
SEMPRE! SEMPRE! SEMPRE! Mil vezes SEMPRE!
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