terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Presentes... aquilo que de melhor se pode ganhar.

Aos amigos, os presentes, ou melhor, os filmes:


* Diego: à você, "O Clube da Luta"
- para que saibas onde é que a insônia há de te levar.

* Bruno: para você, "O Terminal"
- porque, às vezes, é só uma questão de saber esperar...

* Mestre: a ti, o lindo "Conta Comigo"
- pois não vejo nada capaz de melhor nos descrever

* Princesa: ofereço lhe "O Labirinto do Fauno"
- afinal, a história pode mesmo ser real. Quem vai saber? Quem provará o contrário?

* Gê: à você, "Brilho eterno de uma mente sem lembranças"
- até porque sempre estarei lhe esperando em Montauk.

* Tiago: para ti, caro amigo, "Magnólia"
- pois acaso não será linda a Redenção?

* Deni: lhe presenteio com "Closer - perto demais"
- pelo encanto que possuis por belos diálogos.

* Robson: aceite "Quem quer ser o milionário"
- porque é necessário viver... mais que isso, é necessário adquirir experiência para vencer.

* Léo: ofereço-lhe "Os Goonies"
- por sermos crianças a descobrir um mundo de fantasia e perigo.

* Dani: a ti, "Doce Novembro"
- pois talvez este seja meu último desejo: venha ser meu mês derradeiro!

* Talita: aceite o clichê, fique com "Um amor para recordar"
- porque não importa quanto tempo passe...

* Rafa: para você, "As cinco pessoas que você encontra no céu"
- afinal, não é nada interessante ser previsível.

* Ivan: para tu, "Tudo por um segredo"
- pois a vida não passa de uma comédia barata.

* Prof. Valmir: ao senhor, "Sociedade dos Poetas mortos"
- porque foi, sem dúvida, o grande Mestre...

* Jú: à você, minha pequena, o adorável "Pequena Miss Sunshine"
- pois há muita semelhança entre vocês duas.

* Mara: para ti, "A vida de Brian"
- porque para você (e não só para você) não passo de uma piada, uma sátira, nada além disso.

* Brubb's: à vossa senhoria, "Vanilla Sky"
- a eterna confusão entre o que era sonho e o que, de fato, era real.


De qualquer maneira, que possamos, todos, ter um ótimo 2010!

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Quem vai saber? ...

De repente, lá estava 'ela'. Linda; cabelo solto ao vento; olhar penetrante; maquilagem leve; doce perfume (FarWay, se a memória não me falha); unhas fatalmente pintadas de negro.
E foi como se eu avistasse a Mulher dos meus sonhos, por quem eu sempre estive esperando, disposto à lutar, por quem eu novamente poderia vir a me entregar, sem medo, de corpo e alma.

Sorrindo, caminhou em minha direção. Receoso, dei um passo à frente. Num gesto cortês, beijei-lhe a mão direita. Em seguida, temendo que ela pudesse fugir como de fato todas as outras fizeram, abracei-a com força. Sussurrei algo ao ouvido. Tolices, certamente.

Perguntei como havia sido a viagem, ela me respondeu que tudo ocorrera bem, como o esperado. Conversamos por horas à fio... sem de fato perceber que o tempo passara e que já era noite. Resolvi levá-la para casa, mas antes faria o que há muito estava esperando...

No momento do tão aguardado beijo, acordei agarrado ao travesseiro. Acreditem, não havia nenhuma "Princesa Encantada", nenhum "encontro espetacular", o que havia, de fato, era uma doce lembrança de algo que não aconteceu... como tudo aquilo que nos parece fantástico.

Divagação

Eu estou quase entrando na minha segunda década de vida e, ainda assim, quando busco uma definição exata para o que sou, acabo sempre esbarrando em adjetivos opacos, vázios... incapazes de precisar a complexidade de sentimentos, desejos, dores e amores que encerro.




segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Anticristo - Lars Von Trier


Atônito.
Foi assim que me senti ao final do filme do tal Lars Von Trier. Acontece que eu ainda não vi seus trabalhos anteriores como os tão aclamados "Dogville", "Dancer in the dark" e "Idioteme", o que é um erro de minha parte, confesso. Mas, digamos que apesar do pecado, comecei bem...

Antes de qualquer coisa vale ressaltar a devoção de Lars à Nietzsche (o que nos torna irmãos decadent's) e assim sendo, creio que o filme citado seja uma linda homenagem ao filósofo alemão.
Sem mais delongas, que se vá direto ao ponto: o filme, ou a sua essência teórica, talvez encontre bases no ensaio de Nietzsche, "Culpa, má consciência", do livro "Genealogia da Moral", e no livro "Anticristo".

(...)

O prólogo do filme (que é dividido em capítulos) sozinho talvez já mereça um Oscar pela direção fantástica, pela fotografia, pela colagem, pela música... enfim... é uma obra-prima...
Filmado em preto-e-branco, em câmera lenta, ao som magnífico de "Lascia Ch'io Pianga", de Händel, esse prólogo é de longe uma das coisas mais belas que já vi no Cinema, de maneira que assemelha-se à poesia, de tão apaixonante que soa.
Somos lançados à mais pesada (leia-se afável) cena de sexo de toda a história; em contraste com tais movimentos, a jovem criança a brincar, sem que assim fosse censurada pelos pais, já que ambos estão presos ao prazer sexual, incapazes de sequer ver o filho se debruçar na janela do apartamento, e assim adverti-lo. A tragédia pré-anunciada se concretiza, a criança cai do prédio e morre; assim o sexo fica associado à dor.

Os dois próximos capítulos servirão basicamente para trabalhar o luto do casal, "Ele" e "Ela" (os personagens não tem nomes).
Ela (Charlotte Gainsbourg, sem medo, numa atuação fantástica) acaba tendo sérios problemas para enfrentar o ocorrido, já Ele (Willem Dafoe), um psicoterapeuta, decide 'tratar' a mulher, o que segundo um conceito defendido por estudiosos da mente é um erro, já que não se deve 'analisar' alguém por que se tenha forte afeição.

O casal então parte para a floresta, mais especificamente para o Éden, local onde Ela sente-se insegura, frágil, com medo...Ele, então acredita que aí poderá 'curá-la', libertando-a de toda dor, toda ansiedade causada pela morte do filho. Tal Éden em muito se difere da concepção que todas as religiões monoteístas tem, uma vez que estas acreditam que tal lugar é a habitação primeira do Homem, o paraíso realizável...
Mas, acaso, não será o Éden de Von Trier o verdadeiro e único Éden?! Ora, pois o que serão a serpente e a maça senão o Caos imprimindo o desejo e a confusão no Homem? E o que é que a Raposa diz quando encontra-se com Ele? "O Caos reina!" (...)
Este é o ponto crucial, porque a partir da chegada do casal ao Éden é que os desejos mais demoníacos e intrínsecos na mulher começam a aparecer, transformando assim a personagem.
Von Trier nos questiona, nos convida a participar da película, fazendo com que tomemos atitudes severas com os personagens, para que em seguida - numa reviravolta - tais atitudes tornem-se insustentáveis, precipitadas, tolas.

É um filme desaconselhado para muita gente... tanto porque é um filme violento e que fere os conceitos éticos e morais de muitos, como porque tem cenas de sexo explícito, mutilação genital e muita, mas muita falta de pudor.
Mas é um filme lindo, acima de tudo.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Mudança

De alguns dias pra cá tenho me sentido tão só...
E mesmo estando acompanhado, acabo sempre me prendendo à estranhos pensamentos.
O mais engraçado de tudo é que sequer notam que quando estou presente, na verdade estou ausente; e que quando falam, raras vezes ouço.

A verdade é que há algo em mim que está mudando. Talvez por opção, talvez não.
A única certeza que tenho é que já não sou o mesmo.

Pessoas diferentes; lugares diferentes;
músicas diferentes; filmes diferentes;
literatura diferente... isso é tudo que mais anseio.

Não que eu tenha me cansado das velhas coisas, das antigas amizades, dos manjados lugares... de maneira alguma.
Ainda amo a estupidez, a altivez, o clichê, o cortês... acontece que há tantas maravilhas por aí, tantas auroras que ainda não brilharam, e que preciso descobrir.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Férias antecipadas, tudo que eu precisava

Se minha brônquite serviu para alguma coisa, foi para antecipar minhas férias. Hahaha
E isso me deixa feliz, se querem saber.
Tipo... eu gosto de trabalhar, gosto principalmente por conta dos amigos que tenho lá e talz. Mas chega um momento em que você não aguenta mais. Você percebe que está a ponto de explodir, e que acabará matando alguém... E então, de uma vez por todas, é hora de dar um tempo.

Primeira coisa a fazer, é claro, foi ir lá na Video-Locadora. (...)
Chegando lá, sentindo-me profundamente feliz, andei corredor por corredor, gênero por gênero... olhando atentamente cada filme, cada ator, cada diretor, cada história... e fui pegando tudo que me interessava de uma maneira ou de outra.

Segue a lista:

- Alice in Wonderland
- Cine Magestic
- Vanilla Sky
- Por quem os sinos dobram
- 21 Gramas
- Brilho eterno de uma mente sem lembranças

Vamos ver o que me aguarda...
Pois, tirando Alice, não vi nenhum dos alugados.
Mas as indicações são das melhores possíveis.
Talvez um dia eu post alguma coisa sobre um deles. Quem sabe...

Preciso fugir

De repente, assim meio que do nada mesmo, me deu uma vontade de fugir...

Tipo sair correndo sem medo, contra o vento, sem lenço, nem documento... levando comigo apenas coisas de real importância, como um diário, sim um diário, meu Mp-qualquercoisa, e só. Nada mais.
Nem celular, nem chip, nada.

Correr até atingir o pico da mais bela montanha. E lá, em minha própria companhia, admirar a vida e amaldiçoar àqueles que me desejam trazer de volta.

E, numa tarde fria, ouvindo o segundo movimento da 9ª sinfonia de Beethoven, talvez despertar do sonho que é a vida, e assim ascender à condição de Lobo da Estepe, tal como no romance de Hermann Hesse.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Amélie Poulain

Eu procuro pelas obras cinematográficas do mundo inteiro (e assumo procurar em vão) um filme tão apaixonante, tão doce, tão delicado, tão afável quanto "Le fabuleux destin d'Amélie Poulain", uma película francesa diriga por Jean-Pierre Junet.

O que me fascina, acima de tudo, é a forma com a qual a história é contada. De modo que todos (eu disse todos) os personagens são apaixonantes. Outro fato que me impressiona e apaixona, é a complexidade dos fatos, dos acontecimentos. Como se cada cena carregasse em si a essência do filme.

Amélie Poulain é, certamente, tudo que eu sempre quis ser, tudo que eu hei de ser.
Esse anjo feito mulher; essa mulher feito sonho.




E seu maior desejo é trazer felicidade à vida das pessoas!



Como posso não me apaixonar?

De como sinto tantas e tão difusas coisas num curto espaço de tempo.

Apesar de tudo, uma pequena sensação de felicidade vêm me visitar. Abro então os braços, deixando-a entrar...

Afinal, estamos caminhando firmes, e à passos largos rumo à 2010.

E...?

E, com o próximo ano, virão coisas que me soam agradáveis, pelo menos por enquanto.

Como, por exemplo, o Centenário do "Todo-Poderoso", o nosso tão querido "Sport Club Corinthians Paulista 1910". E, é claro, a "Taça Libertadores da América", que - cá entre nós - já conta os dias para visitar-nos, no Parque São Jorge.

Também teremos a "Copa do Mundo" - evento máximo em se falando de futebol, este esporte tão tosco e fascinante.
E com isso, teremos mais uma oportunidade de mostrar o quão sociáveis somos (isso referindo-se à humanidade como um todo).

Ah, sem mencionar o Vestibular, essa possibilidade de começar uma mudança que há muito desejo.
Ou, ainda, a possibilidade de fazer aquela viajem ao Rio Grande do Sul;

ou, então, continuar minha vidinha aqui, em Itu...


E são tantas portas que se abrem e que, tão já, se fecharão, que me sinto aflito.

De dor e cansaço estou quase morto ²

Me sinto mal.

Uma dificuldade tremenda para respirar...

Impossível - mesmo após tantas crises - não sentir-se inseguro, temer pela vida, pelo amanhã, pelo hoje, pelo ontém.
__________________________________________________________

Bronquite atacada, procedimentos normais:
->
1º PASSO: usar a "bombinha de ar".
Sem isso, definitavamente, não há o que respirar.

2º PASSO: após muita resistência, enfim "Pronto-Socorro".

3º PASSO: Prescrição médica
É, realmente eu estava correto, meus brônquios estão inflamados.

4º PASSO: Broncodilatadores. Injeção de adrenalina. (Cara de nojo ao ver a agulha entrando, sensação estranha seguida de dores musculares).

5º PASSO: Inalação.
4 seções, sem intervalo pra descanso, nem tempo para fugir.

6º PASSO: Reavaliação médica.
Dr.: - Prontinho. O Sr. só terá que fazer mais 3 seções de inalação e uso constante de xarope, até que a crise passe.

(...)

Não, definitivamente, eu não estou bem.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Nostalgia ¹

Hoje, resolvi arrumar aquela bagunça...

Tratei de resgatar aquela velha agenda, que consigo guarda tantos números fantásticos, algarismos que me arrastam à antigas amizades, pessoas maravilhosas que o tempo - esse malévolo companheiro - me fez questão de arrancar.
Tive o imenso prazer de reler cartas antigas, lembranças de um sentimento que infelizmente não volta.
Revi (com um largo sorriso no rosto) as muitas promessas não cumpridas e, sinceramente, me senti indiferente com tudo aquilo.
Notei vir, lá de dentro, um doce prazer ao ver aquele envelope que não mais abrirei.


E assim, pouco a pouco, num processo demorado, vou reorganizando minha vida... essa estúpida e apaixonante experiência!

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Como eu havia cometido uma injustiça contra o "Los Hermanos"!

Nos idos de 1999 - nesse Brasilzão de sabe se lá quem - estourava a banda carioca, Los Hermanos; com uma canção hardcore de refrão fácil e contagiante: "Oh, Anna Júlia... Oh, Anna Júlia!.

Na época, tinha eu meus 8/9 anos. Tão pouco me importava com a letra das canções. O que me interessava, de fato, era o quão barulhenta uma banda podia ser. E, convenhamos, Anna Júlia era o máximo.


Bom; eu - como a grande maioria da gurizada -, me apaixonei pelo som; porém, aos poucos, fui me cansando daquela música, até porque era a única canção divulgada pela mídia popular e eu, naqueles dias, nem sonhava com Internet, Dowload, etc. E, após tanto ouvi-la em bares, padarias, eventos, escolas, mercados e afins, passei a odiar tudo aquilo, mais ou menos na mesma época em que comecei ouvir, com mais aprofundamento e afinco, a bandas como Legião Urbana, Los Muertos de Cristo, Sin Dios, Milton Nascimento, Chico Buarque, e até Bob Dylan, que eram músicos/bandas que se preocupavam mais com a letra das canções, com a mensagem que queriam passar.


(...)


Acontece que, algum tempo depois, não me lembro exatamente de que maneira, me "caiu" nas mãos o segundo album dos L.H, o "Bloco do eu sozinho", um disco que se assemelha à uma "quarta-feira de cinzas"... E eu fui, pouco a pouco, gradativamente aceitando aquele album, que possuia canções fantásticas como "Todo Carnaval tem seu fim", que é uma crítica maravilhosa à industria fonográfica, jornalística e ao contentamento cego da grande massa brasileira. Após vencer o preconceito que adquirei em relação à banda, decidi escutar na íntegra o primeiro disco dos "Los Hermanos", aquele mesmo de Anna Júlia... e, confesso, acabei encontrando canções adoráveis ali, tais como "Quem sabe", "Pierrot", "Azedume", "Lágrimas Sofridas" entre outras.

Sem mencionar o ótimo album que viria a ser o "Ventura"...



O mais engraçado de tudo, foi como me surpreendi... como havia me equivocado.

Mas ainda bem que voltei artrás a tempo...



P.s

Aqui, nesse site da banda, estão todas as canções dos quatro albuns lançados.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Violins - Tribunal Surdo (2006)


Violins é uma banda goiana que, na humlide opinião deste escritor, está entre as 3 melhores bandas nacionais pós Legião Urbana (a banda máxima em se falando de Brasil). Tem 4 albuns lançados, maravilhosos, diga-se de passagem; cada qual abordando uma temática diferente, prova cabal de que os seus integrantes procuram seguir por caminhos diversos à cada novo trabalho.

Hoje, especialmente, falarei do Album "Tribunal Surdo", que, penso eu, é o disco mais polêmico da banda. Um disco que fere pela sinceridade, pela forma com a qual trata a violência, a futilidade com a qual alguns dos nossos maiores absurdos são abordados.
(...)
A primeira faixa, "Delinquentes Belos", revela bastante do que está por vir: "Sim, cada um é um assassino sem coração. Esperando pra rir, dentro de um camburão, com sangues nas mãos." E, quando você pensa que já ouviu tudo, que não há mais nada de podre, eís que Beto (vocalista da Violins), encerra, apontando-nos o dedo: "Nós somos delinquentes belos em mundos possíveis. Nós somos imperadores sérios em quartos de hospícios. Nós somos assassinos ébrios em frente os seus filhos."
Ufa! Parece que acabou...
(...)
A segunda música, "O anti-herói (parte I)", agride à qualquer um. Ela choca, principalmente, pela verdade que encerra, aquela verdade perigosa que, no fundo, nem sequer assumimos a nós mesmos, uma verdade quase que inconsciente. Segue-se um trecho: "Tranque a porta que eu já ouvi barulho lá fora, e pode ser que queiram roubar a minha moto nova, e queiram te violentar, mas isso nem importa..."
E, a parte que eu mais gosto, talvez o verso mais sincero que eu jamais tenha ouvido: "E de repente, eu pensei que puta morte bela se eu morrer, pra defender os bens que eu comprei à prazo e a prestação; e fingir que é teu meu coração, fingir morrer por nós..." Essa frase carrega em si um pouco dos ideias que a sociedade consumista nos impõe, pelo menos é assim que eu a interpreto.
(...)
A terceira faixa, "Campeão Mundial de Bater Carteiras", como o próprio título já anuncia, é uma canção que foca o teor esportivo à que práticas, no mínimo condenáveis, estão sendo sujeitadas. O destaque, pelo menos de minha parte, fica no verso que engrandence os batedores de carteiras: "Glórias ao Campeão Mundial de bater carteiras!"
(...)
A quarta música, "Grupo de Extermínio de Aberrações", é talvez a mais polêmica da banda. Alguns disseram que a letra era brilhante, enquanto crítica social e moral; outros, porém, a condenaram, estes certamente não entenderam a canção.
Bom, a letra fala por si só: "Atenção! Atenção! Prestem atenção ao que vamos dizer. Nós somos o Grupo de Extermínio de Aberrações..." Ou, a minha parte predileta: "E eu garanto que os seus filhos agradecem por crescer sem ter que conviver com bichas e michês, e pretos na tv, discípulos de Che, putas com HIV."
A canção fere, principalmente quando se é um discípulo assumido de Che; mas, como disse anteriormente, a letra é uma crítica ao que talvez seja nosso futuro, imagino eu.
(...)
A quinta faixa, "Missão de paz na África", fala da alienação da juventude, ou da maioria dela, para não ser totalmente injusto. (...) O eu-lírico, apresenta-se muito despreocupado com a situação do 'amigo', que está indo para a África numa missão de paz.

"Quando você me falou que ía se alistar, pra lutar pelo bom, eu tava tonto num bar, e eu não pensei que você já falava mesmo em lutar. Você querendo morrer, e eu pensando em transar."
(...)
A sexta música, "O anti-heroi (parte II)", fala abertamente, e de uma forma que dói nos ouvidos, sobre a violência machista. Na canção, nos é narrada uma briga entre um casal, em que no final, o sadomasoquista afirma: "E eu quero mais é te comer em paz, sem ouvir um gozo, sem ouvir 'socorro'!"
(...)
Na sétima canção, "O interrogatório", entende-se (pelo menos no meu caso) que é uma letra que fala sobre a superficialidade das pessoas, das relações humanas, enfim... Como, se na verdade, nada do que dissemos fosse sincero, como se buscássemos, a todo instante, seguir em frente, fingindo que tudo está indo bem...
"Tudo bem? Quantas vezes você responde 'não'? E quantas vezes 'bem' pra continuar andando, sem dar explicação, e sair da prisão!"
(...)
Na oitava faixa, "A lei seca", Beto volta a tratar a violência com desdém, transformando-a numa coisa trivial... "Quem você pensa que é pra pôr o dedo na minha cara assim? Pensa que só porque é mulher, eu não vou reagir?!"
(...)
A nona música, "Solitária", embora tenha alguns riffs animados - lembrando bandas havaíanas, se distancia muito de qualquer tipo de canção feliz. Fala, basicamente sobre solidão, uma solidão quase que voluntária...
Bom, não postarei nenhum trecho porque, de verdade, não simpatizo muito com ela. Se sentires curiosidades, procurem no myspace, o link estará logo abaixo.
(...)
A décima canção, "Piloto Russo na Aldeia Suskir", conta a história de um piloto das Forças Armandas Russas, que caiu - abatido por caças turcos - nesta tal Aldeia. E que para a sua surpresa torna-se um semi-deus, adorado por todos os habitantes. Detalhe: o nosso piloto é um sem-deus, um ateu; como o trecho a seguir nos indica: "Eu nem tenho um deus pra adorar, como foi que eu me tornei deus aqui? Me diz! Que contradição, não é algo que se explique de imediato. Quando dei por mim eu era um deus-suskir."
(...)
A décima primeira faixa, "22", fala, penso eu, sobre a atitude de alguns em querer culpar à um deus por seus erros, suas falhas.
"É que eu comprei uma 22 pra mim, e eu nem treinei, nem sei como te acertei daqui. Foi Deus quem mirou por mim".
(...)
A décima segunda canção, "Ford", fala sobre um sequestro, que acaba ocasionando um acidente de carro. Nesta canção, gosto muito da forma com a qual o "marginal" é descrito, um tipo de comediante nato, que nunca perde o bom-humor. "Não sinto a minha perna eu só sinto o ar, e é tão bom poder respirar. Eu nunca pensei que eu pudesse gostar, e que eu pudesse estar a sós com você. Eu preciso saber quem é você! Desculpe o punhal, é meu jeito de abordar!".
(...)
A penúltima música, "Saltos Ornamentais Árabes Para Treinamento de Atiradores Americanos, é uma bela canção, a começar pelo título. Bom, sempre admirei a forma com a qual o Violins tratou a violência, isto é, a forma com a qual eles transformam-na em algo notório. "Veja os corpos pulando no ar; então atire no primeiro que olhar." E, mais a frente, a forma com a qual o "Atirador" trata a si proprio, vangloriando-se: "Dos atiradores de Elite eu sou o primeiro lugar, e eles vem me perguntar como faço pra acertar os homens que pulam de lado; e eu não sei - é talento inato!".
(...)
A última faixa deste maravilhoso album, "Manicômio", fala sobre a crise de um jovem que vem sofrendo com a delinquencia (ou não).
"Então a porta se abriu e alguém me pediu pra ficar calmo. 'Ficar calmo? Quem é louco aqui?' - falei pra distrair e ninguém quis sorrir..."


Enfim, "TRIBUNAL SURDO", é um disco clássico, aquela obra-máxima, que ficará atualizada por anos, séculos, milênios, pois a violência, que é seu maior componente, jamais será apagada.
Prometo (a mim mesmo) que em breve escreverei sobre "Aurora Prisma", "A Redenção dos Corpos" e "Grandes Infiéis".


E aqui, http://www.myspace.com/violinsbr está tudo, ou quase tudo, sobre uma das melhores bandas do cenário nacional.

Friedrich Wilhelm Nietzsche

Quantas vezes mais terei de dizer que Nietzsche salvou minha adolescência - e, por que não? - minha vida! Pensar que ele me surgiu da maneira mais inusitada, mais inesperada... E, desde então, considero-o meu acaso predileto, sem o qual talvez eu jamais pudesse morrer feliz!

O que me aproximou de sua filosofia sempre foi - e não o escondo de ninguém - a forma veemente com a qual ele se empenhou contra a moral cristã, esta farsa de milênios.

E, além do mais, eu sempre admirei a sua forma zangada de escrever.
Ah! E que belos e poderosos são seus aforismos - que, segundo o próprio Nietzsche, é a habilidade de dizer em 10 frases o que os outros dizem num livro... o que os outros não dizem num livro!

(...)

Li e reli o tal Zaratustra umas três vezes, bem lentamente, analisando cada parágrafo, cada vírgula, cada sentença, verbo por verbo, substantivo por substantivo, etc, etc. E toda vez, ao cabo do livro, eu me sentia perdido, atônito. "Hã?", era a única coisa que eu conseguia dizer.
Mas, falando sério, que belo livro, que leitura maravilhosa! Talvez este seja o maior presente que a humanidade já recebeu.

E o que Nietzsche diz a respeito de seu Zaratustra? Melhor que o diga com suas próprias palavras:
"Ele está atirado sobre uma folha com a assinatura: 6.000 pés além do homem e do tempo" (Ecce Homo - de como a gente se torna o que a gente é, p.110)

"Aqui não fala um fanático, aqui não se 'prega', aqui não se exige fé: os ensinamentos caem de uma abundância inesgotável de luz e felicidade profunda, gota a gota, palavra por palavra - uma lentidão suava é a velocidade dessa conversa. Coisas desse tipo só logram ser alcançadas para os melhores dentre os eleitos; é um privilégio sem igual, poder ser um ouvinte aqui; não é a todos que é dado ter ouvidos para Zaratustra... E, com tudo isso, Zaratustra não é um desencaminhador?... Mas o que ele mesmo diz quando volta pela vez primeira para a sua solidão? Exatamente o contrário daquilo que um 'sábio', um 'santo', um 'salvador do mundo' ou outro décadent qualquer haveria de dizer em semelhante caso... Ele não apenas fala diferente, ele também é diferente...

- Eu vou sozinho, pois, meus discípulos! E também vós ireis embora sozinhos! É assim que eu quero e deve ser.
Afastai-vos de mim e defendei-vos contra Zaratustra! E, melhor ainda: senti vergonha dele! Talvez ele vos haja enganado.
O homem do conhecimento não tem apenas de amar seus inimigos, ele também tem de poder odiar seus amigos.
A gente retribui mal a um professor, quando permanece sendo sempre apenas seu aluno. E por que vós não haveríeis de querer arrancar os louros da minha coroa?
Vós me venerais: mas como, se vossa veneração um dia irá ao chão? Guardai-vos de não serdes abatidos por uma coluna!
Vós dizeis que acreditais em Zaratustra? Mas que importa isso a Zaratustra!? Vós sois meus crentes, mas que importam crentes!?
Vós ainda não haveís vos procurados: aí encontrastes a mim. É assim que fazem todos os crentes; e por isso valem pouco todas as crenças.
Agora eu vos ordeno: perder a mim para vos encontrardes; e apenas quando todos vós tiverdes me renegado, é que haverei de quer voltar a vós..." (Ecce Homo, p.19)

(...)

"Deus Todo-Poderoso, lamento ser agora um ateu, mas o Senhor leu Nietzsche? Ah, que livro!" - John Fante

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Fahreinheit 451 - Ray Bradbury - (Eu aconselho!)

Quando caiu em minhas mãos, nem sequer imaginei do que se tratava. Relutei algum tempo em lê-lo; com medo, confesso, de que se tratasse de mais uma história bizarra à cerca da vida de um bombeiro que por diversas vezes se viu metido em encrencas. Ah! Como eu estava enganado.

E, para minha eterna felicidade, ainda bem que resolvi ler o prefácio!

(...)

Fahreinheit 451, é um livro especialmente delicioso, uma leitura prazerosa, viciante.

Narra uma história baseada num futuro não muito distante, em que os livros configuram uma grande ameça à sociedade, pois são vistos, agora, como um mal, atráves do qual as pessoas se tornam infelizes. O sarcasmo fica por conta do fato de que os Bombeiros - outrora designados à apagar os incêndios, agora são os responsáveis por queimar qualquer tipo de material impresso.

O romance é centrado no bombeiro Montag, símbolo da sociedade ideal, um homem trabalhador, fiel às regras impostas pelo Estado, casado com Millie, uma mulher futil, que vive sentada à frente da t.v, e que, para sentir-se melhor, usa e abusa de comprimidos antidepressivos.

Porém, num dia aparentemente normal, Montag conhece Clarisse - uma jovem encantadora, extremamente social -, que o faz questionar algumas coisas que lhe pareciam, até então, absolutas, inquestionáveis. E então, apartir desse encontro, a vida de Montag começa a mudar.

(...)

Numa ocorrência, quando são chamados à casa de uma senhora que escondia consigo alguns livros, Montag percebe que há algo de errado, quando a velha senhora nega-se a sair da casa, optando, assim, por ser queimada junto com os livros.

Nosso personagem principal começa, então, a se perguntar o que é que os livros tem de tão bom assim. "Ora, alguma coisa de especial eles devem ter, se não, por que se arriscar tanto por um amontoado de páginas?".

Montag, num ato decidido, resolve levar consigo um livro. Tiraria, a qualquer custo, aquela dúvida. Acontece que o nosso herói apaixona-se pela literatura, entrando num conflito existêncial, já que a sua profissão é eliminar aquilo por que tem tanto amor.

(...)

Montag opta por abandonar a profissão. Resolve anunciar sua saída ao capitão dos bombeiros, este, por sua vez, aceita, pedindo apenas que Montag acompanhe-0 neste último caso. O mais engraçado (e triste ao mesmo tempo) é que o caminhão do corpo de bombeiros dirige-se à casa de Montag, que ao perceber o que estava acontecendo diz: "Mas esta é a minha casa!", e recebe, como resposta, o sorriso sarcástico de Beatty, capitão da companhia.

Ora, nosso Montag havia sido traído pela mulher!

(...)

Os bombeiros entraram na casa, revirando-a de ponta-cabeça, atrás de livros. Beatty, sereno, diz: "O Montag sabe o que procuramos, e como esta é a casa de Montag, melhor seria que ele ajudasse-nos nessa procura." Montag, então, pega todos os livros que havia escondido e os atira no chão, onde seriam, em seguida, queimados para o bem-estar de todos.

Quando todos os livros estavam ali, no chão, esperando pelo fogo, pelas cinzas, Beatty, segurando o incinerador se dirige à Montag, e diz: "Faça-me o favor!".

Montag, por sua vez, pegando o incinerador, sem pensar duas vezes, atea fogo no capitão. Ao que, nesse momento, os outros bombeiros fogem, desesperados. "Ele está louco, Montag eulouqueceu!"

(...)

Nosso herói foge, sem saber ao certo pra onde ía. Quando se dá conta, percebe que está num parque, à beira de um lago. Lá encontra pessoas adoráveis, chamadas de "homens-livros", a parte realmente linda da história começa, então, a ser narrada, muito embora o romance, à essa altura, já esteja no fim.

Acontece que os "homens-livros" são pessoas que de tanto amor aos livros, resolveram, devido à censura, decorar seus romances favoritos, tornando, assim, impossível que as histórias de séculos, milênios, pudessem se perder para sempre.

E assim, não tão bruscramente, nem tampouco secamente, a história de Montag chega ao fim. Ou ao seu início, depende do seu ponto de vista!

(...)

O que importa é que vocês, meus caros amigos, leiam à esta belíssima obra-de-arte. Ah! E se acaso desejarem, tenho comigo um exemplar. Ficaria felicíssimo em emprestá-lo.


"Onde se queimam livros, acaba-se por queimar homens!" - Heinrich Heine -









domingo, 23 de agosto de 2009

A Clockwork Orange

Nota:
Sempre quis escrever sobre Laranja Mecânica, porém nunca tive coragem, tanto porque o considero o melhor filme de todos os tempos, como porque, talvez, já não haja mais o que dizer a cerca de tal obra-prima. Entretanto, sinto-me obrigado a fazê-lo. É como se eu tivesse uma dívida de gratidão... não sei.




A Clockwork Orange (A Laranja Mecânica), é um filme de 1971, dirigido por Stanley Kubrick (o que por si só já é um belo cartão de visitas) e estrelado por Malcolm McDowell. A película é ambientada na Londres, num futuro não muito distante.


Alex, nosso personagem principal, é o típico anti-herói, um adolescente ávido por violência que, por diversas vezes, apresenta-se sarcástico, narcisista, apolítico, destrutivo e sádico; um jovem que despreza os valores familiares, os princípios éticos e morais e que, acima de tudo, despreza a sociedade.


Entretanto, embora possa não aparentar, Alex é um rapaz inteligentíssimo, haja vista é fascinado por música clássica, especialmente a de Ludwig Van Beethoven.


(...)






Alex e seus três drugues, Pete, Georgie e Dim, são exímios arruaceiros. À noite saem para aprontar, o que consiste em estuprar devotchkas (mulheres), bater em velhos, bêbados, numa palavra, ir à desforra sobre a sociedade. Porém, antes de sairem aprontando por aí, passam na Leiteria Korova (o que equivale à um bar nos dias atuais), onde bebem seus delíciosos leites com velocete, sintesmeque ou drencrom que, nas palavras do próprio Alex, "aguça os sentidos, e deixa você pronto para um pouco da velha ultra-violência".


(...)


Acontece que Pete, Georgie e Dim, acabam enfurecendo-se com o espírito de líderança de Alex, bem como com seus excessos e, então, decidem traí-lo, armando uma cilada para que seu vássalo seja preso. Pois bem, o plano fora desenvolvido com perfeição, e o nosso estimado personagem acaba sendo preso.


(...)


Após mais de dois anos de pena cumprida, Alex fica sabendo de um programa experimental de controle de agressividade, utilizado pelo Governo, que promete a liberdade ao paciente em no máximo 15 dias.


Alex consegue volutariar-se ao experimento. A Técnica Ludovico consiste, basicamente, à utilização de drogas em conjunto com algumas sessões de cinema. Durante estas sessões, Alex assiste aos mais variados filmes, como ele mesmo narra:


"- Eu videei filmes mesmo. Fui levado, irmãos, para um cinema diferente de todos que já videei. Fui enfiado numa camisa camisa-de-força; o meu gúliver foi amarrado a um apoio do qual saíam muitos fios. Aí puseram grampos nos meus olhos, para que eu não pudesse fechá-los, por mais que tentasse. (...) Achei tudo muito dóido, mas deixei que fizessem o que queriam fazer. Para ser um maltchique livre novamente em 15 dias eu estava disposto a aguentar muita coisa, oh meus irmãos. (...) O primeiro filme era muito bom, bastante profissional, como aqueles de Hollywood. O som era muito horrorshow. Dava para esluchar os gritos e gemidos com muito realismo, e os maltchiques toltchocadores ofegando ao mesmo tempo. E aí, imaginem só, o nosso bom e velho amigo, o vinho de barril bem tinto, o mesmo em todo lugar, como se fosse feito por uma firma só, começou a escorrer. Era lindo. É engraçado como as cores da vida real só parcem realmente de verdade quando você as videia na tela."








Todos os filmes à que Alex assistia eram sobrecarregados de violência e ele, de repente, começa a se sentir enjoado. Segue o texto, no original:


" - O tempo todo, enquanto assistia, eu começava a me dar conta de que não me sentia tão bem. Atribuí isso a toda aquela comida nutritiva e às vitaminas. Tentei esquecer, concentrando-me no filme seguinte... que mostrava uma jovem devotchka levando o velho entra-sai-entra-sai, primeiro de um maltchique, depois outro, e depois outro. Lá pelo sexto ou sétimo maltchique rindo e esmecando, e mandando ver, eu comecei a passar muito mal. Mas não podia fechar meus glazes. E, mesmo quando tentava desviar o glazar, eu não conseguia sair da linha-de-fogo daquele filme. "
(...)
Alex passa então, com o tratamento, a sentir insuportáveis crises de naúseas toda vez que sente vontade de agir violentamente. E, para sua eterna tristeza, durante o tratamento Ludovico, acidentalmente havia sido introduzida a 9ª sinfonia de Beethoven, o que agora o impossibilitava até mesmo de ouvir a música que tanto estimava.

O que importa dizer é que ele foi solto. Estava novamente livre!

(...)

Já no XXXI ato, após ter ido parar na casa de um escritos a quem outrora tivera feito mal, Alex é testado, e como ele mesmo narra:

" - Acordei, sentindo a dor e a naúsea em cima de mim, como um animal. Aí eu descobri o motivo. A música que estava vindo do chão, era do nosso velho amigo Ludwig Van. Era a temida 9ª sinfonia (...) De repente, videei o que eu precisava fazer, e o que queria fazer. Era acabar comigo mesmo. Me zerar. Ir embora para sempre deste mundo perverso e cruel. Um momento de dor, talvez... e depois o sono. Para sempre, todo o sempre. "

Alex decide, então atirar-se da sacada.

" - Eu pulei, ó meus irmãos, e queda foi feia. Mas não me zerei. Tivesse eu me zerado, não estaria aqui para contar o que contei.
Voltei à vida depois de um longo e negro intervalo, que poderia ter durado um milhão de anos."

(...)

Já no Hospital, Alex recebe a visita do Ministro do Interior - representante do Governo -, que com medo de que a população devido à tragédia vivida por Alex, se posicione contra o Partido, decide fazer uma proposta à Alex. Este último deveria apoiar o Governo em sua campanha eleitoral, enquanto o Partido se encarregaria de proporcionar-lhe uma vida digna, uma bela idenização e um bom emprego.

Alex, demonstrando todo seu sarcasmo, toda sua maneira apolítica de viver, aceita a proposta.

(...)

E o grand finale, engendrado maravilhosamente bem, mostra-nos Alex transando (estuprando) uma jovem devotchka, ao que irônicamente Alex, nosso tão magnífico anti-herói, diz:

" - Eu estava curado! "

terça-feira, 14 de julho de 2009

Análise despretenciosa...

Hoje, neste dia atípico em que o "busão" segue seu curso vázio, resolvi, já que curiosamente encontro-me sentado, esboçar uma pequena descrição a cerca das possíveis personalidades que aqui estão.
Há, duas poltronas à minha frente, uma senhora. Cabelos grisalhos. Blusa de lã. Sandália-de-dedo. Ela olha fixamente pela janela. Como se buscasse, lá fora, os sonhos que outrora tivera e que, sabe-se lá por que motivos, não pode realizar. (...) Um pouco mais à frente, estão uma moça - aproximadamente 26 anos, não mais que isso - e sua filha, suponho. Indago-me, curioso que sou, onde estará o pai da criança e, por consequência lógica, o marido da moça. Que tipo de proletário será ele? Certamente está em casa, jogado no sofá; contando as horas pro jogo do timão. A pobre moça, uma morena de 1,79m, apesar da triste sina, apresenta-se muito bem. Feliz, eu diria! (...) À minha esquerda, há um guri, uns 16/17 anos. Alto, negro. Camiseta da Diesel; tênis da Nike. Óculos escuro. Ouve música, num aparelho moderníssimo. Tento imaginar o que ele pensa, quais seus objetivos, suas necessidades. Pergunto-me, se há entre nós alguma semelhança. Não, sei. (...) Na poltrona da frente, há um senhor. Careca. Aparentemente com dificuldades para caminhar. Aposentado, sem dúvida. Imagino, após examiná-lo rapidamente, que teve uma história baseada no sofrimento. De certo, começara a trabalhar muito cedo, comprometendo, assim, a sua infância. Imagino, ainda, que desde então tem sustentado, com muito sacrifício, a sua família. Porém, por mais que eu procure, não há sinal de arrependimento. Pelo contrário, o velho sorri, fazendo com que eu me questione: "O que haverá de tão bom assim em sua vida? " (...) Volto a analisar a mãe com a filha. Dessa vez, me atenho à criança. Uma moreninha linda, com um vestido avermelhado. Dentre todos que nesta lotação estão, ela é a única que arrisca-se a falar. Curioso é o fato de que ela mantem um diálogo com uma boneca que traz consigo. E, em quanto todos parecem-me presos à mundos fictícios, ela é única que se retém à realidade.

Uma mão já tremula

Meu corpo queima, sinto frio.
Meu corpo dói, tenho medo.
Nesse momento não há nada que fique fora de meus pensamentos. Tudo de indizivelmente pequeno vêm a mim, assim como uma tempestade, molhando, reformando, resgatando a vontade de viver, de mais uma vez ver o Sol se pôr, os pássaros cantarem, enfim...
De verdade, a vida é maravilhosa, mas será que só notamos isso quando estamos enfermos? Será que só a desejamos quando nossa vitalidade está ameaçada?
Talvez ninguém saiba o quanto considero a doença um fator determinante, um tipo de agente auxiliador, responsável pelo equilíbrio; pois, verdade seja dita, nos dias em que estamos doentes, de forma mais acerbada desejamos a vida.(...) Contudo, talvez eu seja seu maior amante! Alguém duvida?

domingo, 12 de julho de 2009

E aqui jaz todas aquelas belas e malditas futilidades

Algumas Notas:


"Noite sem fim" - eís aí um bom livro (eu aconselho)
//?\\ "Acabo onde começo"... (mas que porra significa isso?)
Obs: Parabéns Agatha. Se tú queria confundir, conseguiu.


Viver acorrentado ao PASSADO é uma tremenda BURRICE... ¹
Seguir apenas uma FILOSOFIA de vida é uma grande IDIOTICE. ²


O alcool é a destruição do Homem.
As drogas podem até agir como estimulantes por um determinado tempo, mas elas acabarão lhe matando - antes mesmo que você se dê conta de que é um viciado, sem expectativas de vida.
As Mulheres são capazes de tirar um homem do fundo do poço para, em seguida, atirá-lo num precipício.
O diabo enviou-nos a Coca-Cola a fim de conquistar-nos...
e, como vocês bem sabem, ele conseguiu!


A pior criação do Homem: - o dinheiro
a melhor: - a música
Obs: Sem ela, a vida seria um erro.


Quem matou Kurt Cobain foi a heroína e não a Courtney Love!
Palhaços costumavam me dar medo (principalmente o Bozzo)



Lost é, de longe, a melhor série;
Pânico na tv é, definitivamente, o melhor programa humorístico;
Resident Evil 3 (PS.I) é, sem dúvida, o melhor game;
Clockwork Orange é, disparado, o melhor filme... The Lord Of The Ring's vêm em seguida;
Filmes legendados e em preto-e-branco são melhores;
Livros são melhores que filmes - a única coisa que lhes falta é a trilha sonora;
Memórias Póstumas de Brás Cubas, é o livro mais bem escrito que eu já li;
Entre tantos, FarWay é o único perfume que permanece em minha memória;
Você pode até mesmo procurar, mas jámais encontrará algo semelhante ao sorrido de MonaLisa;
Querendo ou não, a Teoria da Evolução é verdadeira/
O cerébro humano é o melhor brinquedo que você jámais possuirá. Portanto, divirta-se.


Quem nunca leu "Ecce Homo - de como a gente se torna o que a gente é", nunca leu uma auto-biografia de verdade.
Não há nada mais sombrio que um filme de Stanley Kubrick. Pegue-se, como exemplo, "De olhos bem fechados"!
Apesar de tudo, o Hino Nacional Brasileiro é o mais belo do mundo.



* Acabo onde começo...
Eís uma citação que tenho ouvido com frequência.
Soa bem. Mas, na realidade, o que significa?
Existe, porventura, um lugar determinado para onde se possa apontar, dizendo:
'Tudo começou naquele dia, com tal acontecimento'?


Acabo onde começo - é o que sempre dizem!
Mas, afinal, que porra significa isso?

Uma voz do passado

"Engano não é cegueira. Engano é covardia!" - Friedrich Wihelm Nietzche -


Por que diabos digo que você é especial?
Afinal, o que em você é extraordinário, fora do comum?
Pra dizer a verdade, acho você retrógada por demais, comum por demais! Aliás, a única diferença entre você e as demais garotas - e pra pior -, é o fato de você jámais ter se assumido como realmente és (...) Essa mesquinhez, essa obsessão em ser, em querer ser diferente, é o que mais me enoja e, certamente, uma das minhas mais fortes motivações a te considerar, como sendo, definitivamente a minha mais alta ilusão.
O que dizer, então, do sinismo? Logo você, que diz não suportar a falsidade, devia se envergonhar profundamente, pois vive se fazendo de vítima, escondendo-se de seus erros, como se não fosse mais fácil assumí-los de vez por todas. Mas, ao invés disso, você culpa os outros, como se assim as coisas fossem melhorar, quiçá pudessem realmente mudar...
Sabe, a gente têm a obrigação de dizer sempre a verdade, por mais doloroso que seja... a gente têm de ser sincero - sobretudo - consigo mesmo!



P.s
Eu proíbo toda e qualquer suposição a cerca de quem é que eu descrevi nesta passagem.
E tenho dito!

Para você, Bárbara...

Com amor,

Sei que sou um covarde, um tremendo de um egoísta,
Sei, também, que você merece alguém melhor que eu... Acredite, não valho tanto a pena.
Se lhe serve de consolo: talvez eu jámais apareça! Costumo decepcionar todos que têm em mim algum tipo de esperança. Creio que esta é a sina à que estou sujeito.
Além do mais, há tantas pessoas maravilhosas ao seu lado e que dariam tudo para ter uma oportunidade de amá-la. Pessoas tão melhores que eu, tão merecedoras, tão mais reais...
Você, linda, é uma das "coisas" mais fofas que eu já tive o prazer de conhecer. Você é, sem sombra de dúvida, a mulher mais capacitada que eu conheço. Chegarás, se assim desejar, onde for. E eu estarei, não importa onde, torcendo por você, pelo seu sucesso.
Queria, de todo o coração, poder olhá-la, uma vez que fosse, no fundo dos olhos... Um dia, quem sabe...


P.s
Ei! Olha só o que eu achei:
- cavalos marinhos

Eu, mascarado?

Uma amiga, numa dessas tantas conversas que os amigos tem, disse-me indireta, depois diretamente: "És um tremendo de um mascarado!". O que significa, segundo ela, que me escondo, que tenho medo de me mostrar, de dizer quem realmente sou. Não, ela não é a primeira a dizer isso, pelo contrário, receio que já o tenha ouvido demasiadas vezes(...) Bem, de certa forma ela está correta, mas também não sou esse monstro insensível, que não confia nos seres humanos, a ponto de considerar teus arcanos tão importantes e, assim, escondê-los, omíti-los. Eu sou, não nego, um tanto reservado, um tanto tímido para falar da minha vida com tanta facilidade, com tanta naturalidade. Pois, no meu caso, há o desejo de manter-se oculto, o instinto de preservação, a vontade de permanecer tal como um mistério que, quiçá, algum dia será desvendado. Mas as pessoas, no geral, não entendem; jámais entenderão o silêncio, e é necessário que se dê o devido valor à isto: Há segredos nos quais não se "tocam", não pelo fato de que não exista confiança da parte do locutor, mas porque neles (segredos) não se queira pensar. E eu já não quero pensar em muitas coisas...
Ah! E sou um homem, não uma mulher! As mulheres que têm por necessidade, talvez por instinto, a vontade de falar, de mostrar-se, em suma, de entregar-se desesperadamente à uma amizade, para depois, quando porventura findar-se este laço, poderem dizer, indo à desforra, gritando aos quatro cantos, em alto e bom som: "Vejam! Me entreguei. Confiei à ele todos os meus segredos e o que foi que ele fez? Me traiu! E agora... estarão os meus arcanos à salvo Contará ele à alguém que uso tamanho G, e que sou ainda - aos 28 anos- virgem?"

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Enfim...

Eu sou um cara que se sente mal pelos erros que cometeu, pelas lágrimas que causou (e isso serve para todos aqueles que magoei algum dia) ! Às vezes, na ânsia de agir corretamente, a gente acaba cometendo alguns equivocos, e a vida me ensinou - da maneira mais cruel possivel - que as nossas escolhas voltam-se contra nós, nos ferindo, nos machucando, nos matando - pelo menos por dentro...Mas eu também sou um cara que se sente felícissimo pelas amizades que possui, pelas ''coisas'' que conquistou! Sabe, apesar de tudo, a vida é maravilhosa, ela sempre nos dá ''uma'' oportunidade (e às vezes ateh mais de uma), uma chance para que possamos tentar corrigir ou, até mesmo, minimizar os nosso erros, e é preciso agarrá-las antes que o seja tarde demais. E eu vou sobrevivendo!! Sem jamais pensar em desistir !!

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Aos meus queridos amigos, com carinho:


Faz-se necessário dizer uma e ainda mil vezes: não há, no mundo, pessoas tão dignas de admiração tais como meus amigos. Que são, em suma, os grandes responsáveis por tudo aquilo que eu sou e, principalmente, por tudo aquilo que eu não sou.




sexta-feira, 10 de abril de 2009

Quem diria ?

Pensando bem, talvez eu não seja, nem de longe, o que um dia eu pensei que seria.
Explico-me: houve um tempo - e olha que não faz tanto tempo assim -, em que eu me descrevia como sendo um ser típicamente ocioso, uma pessoa que, somente quando não restassem mais desculpas, enfim resolveria trabalhar.


Há algum tempo atrás tão pouco me importava a escola, o futuro. Bom, talvez nesse ponto o trabalho seja essencial: despertar-nos para o mundo. Porque há se admitir: ninguém, em sã consciência, após um mês inteiro de trabalho intenso, ficaria feliz ao ver seu hollerith com um saldo disponível de 250R$. E é aí, e só apartir daí, que notamos o quão falta faz um diploma, uma qualificação melhor.


Houve um tempo em que, nem sequer em sonhos, ousei cojtar a possibilidade de me tornar um feliz e lucrativo proletário, tal como hoje sou!

Ah, o transporte coletivo!

Eu, assim como todo bom proletário, sou um amante incondicional dos Transportes Coletivos. Tampouco haveria como ser diferente, sendo que, desde mui criança, me vejo envolto em tal meio. E, para não vos faltar com verdade, das poucas recordações de infância que a minha já perturbada memória insiste em reter intacta, esta é a que com maior facilidade consigo acessar: o tão idolatrado BUSÃO!

Ah! O prazer de pegar uma lotação! O prazer de mal poder se mexer! Quanto de nós, caros leitores, acaso já passou por isso? (...) Hã? O quê? Apenas os meus mais íntimos amigos?! Não posso acreditar! Não sabem o que estão perdendo!

Vamos, caros companheiros da burguesia, não há o que temer! Hoje, ao invés do carro importado, prefira à um bom e velho busuca. Vocês vão gostar, acreditem. Adianto-lhes, ainda, que não há, no mundo, aventura igual. Nem mesmo a escalada do Everest é tão prazerosa.

sábado, 4 de abril de 2009

O eterno retorno do mesmo

Cá estou, novamente, numa tentativa de desta vez, quem sabe, conseguir manter esse Blog.
Digo "esse Blog", porque já perdi as contas dos tantos que eu já criei, para que, alguns dias depois, me cansasse e abandonasse-os.

Sempre fui uma pessoa chegada a experimentos, dos quais, quase sempre, sai frustrado. Mas talvez essa seja a verdadeira finalidade das experiencias terrestres: frustrar-se, para que assim, jámais se volte a experimentar coisas novas.
Alguns diriam que tenho o "dom" nato da perseverança. Aquele cara que mesmo em face as mais temerosas dificuldades, acaba por tirar, sabe se lá de onde, um pingo, um resquício de coragem, de vontade de seguir adiante, mesmo que isso, futuramente, possa lhe acarretar sérios problemas.

Enfim, espero, de todo o coração, que esse Blog dê certo!
E, se acaso isso não acontecer, prometo à mim mesmo: Não terei o menor receio de esquecê-lo, assim como fiz com todos os outros.


E tenho dito!