Uma amiga, numa dessas tantas conversas que os amigos tem, disse-me indireta, depois diretamente: "És um tremendo de um mascarado!". O que significa, segundo ela, que me escondo, que tenho medo de me mostrar, de dizer quem realmente sou. Não, ela não é a primeira a dizer isso, pelo contrário, receio que já o tenha ouvido demasiadas vezes(...) Bem, de certa forma ela está correta, mas também não sou esse monstro insensível, que não confia nos seres humanos, a ponto de considerar teus arcanos tão importantes e, assim, escondê-los, omíti-los. Eu sou, não nego, um tanto reservado, um tanto tímido para falar da minha vida com tanta facilidade, com tanta naturalidade. Pois, no meu caso, há o desejo de manter-se oculto, o instinto de preservação, a vontade de permanecer tal como um mistério que, quiçá, algum dia será desvendado. Mas as pessoas, no geral, não entendem; jámais entenderão o silêncio, e é necessário que se dê o devido valor à isto: Há segredos nos quais não se "tocam", não pelo fato de que não exista confiança da parte do locutor, mas porque neles (segredos) não se queira pensar. E eu já não quero pensar em muitas coisas...
Ah! E sou um homem, não uma mulher! As mulheres que têm por necessidade, talvez por instinto, a vontade de falar, de mostrar-se, em suma, de entregar-se desesperadamente à uma amizade, para depois, quando porventura findar-se este laço, poderem dizer, indo à desforra, gritando aos quatro cantos, em alto e bom som: "Vejam! Me entreguei. Confiei à ele todos os meus segredos e o que foi que ele fez? Me traiu! E agora... estarão os meus arcanos à salvo Contará ele à alguém que uso tamanho G, e que sou ainda - aos 28 anos- virgem?"
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