terça-feira, 14 de julho de 2009

Análise despretenciosa...

Hoje, neste dia atípico em que o "busão" segue seu curso vázio, resolvi, já que curiosamente encontro-me sentado, esboçar uma pequena descrição a cerca das possíveis personalidades que aqui estão.
Há, duas poltronas à minha frente, uma senhora. Cabelos grisalhos. Blusa de lã. Sandália-de-dedo. Ela olha fixamente pela janela. Como se buscasse, lá fora, os sonhos que outrora tivera e que, sabe-se lá por que motivos, não pode realizar. (...) Um pouco mais à frente, estão uma moça - aproximadamente 26 anos, não mais que isso - e sua filha, suponho. Indago-me, curioso que sou, onde estará o pai da criança e, por consequência lógica, o marido da moça. Que tipo de proletário será ele? Certamente está em casa, jogado no sofá; contando as horas pro jogo do timão. A pobre moça, uma morena de 1,79m, apesar da triste sina, apresenta-se muito bem. Feliz, eu diria! (...) À minha esquerda, há um guri, uns 16/17 anos. Alto, negro. Camiseta da Diesel; tênis da Nike. Óculos escuro. Ouve música, num aparelho moderníssimo. Tento imaginar o que ele pensa, quais seus objetivos, suas necessidades. Pergunto-me, se há entre nós alguma semelhança. Não, sei. (...) Na poltrona da frente, há um senhor. Careca. Aparentemente com dificuldades para caminhar. Aposentado, sem dúvida. Imagino, após examiná-lo rapidamente, que teve uma história baseada no sofrimento. De certo, começara a trabalhar muito cedo, comprometendo, assim, a sua infância. Imagino, ainda, que desde então tem sustentado, com muito sacrifício, a sua família. Porém, por mais que eu procure, não há sinal de arrependimento. Pelo contrário, o velho sorri, fazendo com que eu me questione: "O que haverá de tão bom assim em sua vida? " (...) Volto a analisar a mãe com a filha. Dessa vez, me atenho à criança. Uma moreninha linda, com um vestido avermelhado. Dentre todos que nesta lotação estão, ela é a única que arrisca-se a falar. Curioso é o fato de que ela mantem um diálogo com uma boneca que traz consigo. E, em quanto todos parecem-me presos à mundos fictícios, ela é única que se retém à realidade.

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