domingo, 23 de agosto de 2009

A Clockwork Orange

Nota:
Sempre quis escrever sobre Laranja Mecânica, porém nunca tive coragem, tanto porque o considero o melhor filme de todos os tempos, como porque, talvez, já não haja mais o que dizer a cerca de tal obra-prima. Entretanto, sinto-me obrigado a fazê-lo. É como se eu tivesse uma dívida de gratidão... não sei.




A Clockwork Orange (A Laranja Mecânica), é um filme de 1971, dirigido por Stanley Kubrick (o que por si só já é um belo cartão de visitas) e estrelado por Malcolm McDowell. A película é ambientada na Londres, num futuro não muito distante.


Alex, nosso personagem principal, é o típico anti-herói, um adolescente ávido por violência que, por diversas vezes, apresenta-se sarcástico, narcisista, apolítico, destrutivo e sádico; um jovem que despreza os valores familiares, os princípios éticos e morais e que, acima de tudo, despreza a sociedade.


Entretanto, embora possa não aparentar, Alex é um rapaz inteligentíssimo, haja vista é fascinado por música clássica, especialmente a de Ludwig Van Beethoven.


(...)






Alex e seus três drugues, Pete, Georgie e Dim, são exímios arruaceiros. À noite saem para aprontar, o que consiste em estuprar devotchkas (mulheres), bater em velhos, bêbados, numa palavra, ir à desforra sobre a sociedade. Porém, antes de sairem aprontando por aí, passam na Leiteria Korova (o que equivale à um bar nos dias atuais), onde bebem seus delíciosos leites com velocete, sintesmeque ou drencrom que, nas palavras do próprio Alex, "aguça os sentidos, e deixa você pronto para um pouco da velha ultra-violência".


(...)


Acontece que Pete, Georgie e Dim, acabam enfurecendo-se com o espírito de líderança de Alex, bem como com seus excessos e, então, decidem traí-lo, armando uma cilada para que seu vássalo seja preso. Pois bem, o plano fora desenvolvido com perfeição, e o nosso estimado personagem acaba sendo preso.


(...)


Após mais de dois anos de pena cumprida, Alex fica sabendo de um programa experimental de controle de agressividade, utilizado pelo Governo, que promete a liberdade ao paciente em no máximo 15 dias.


Alex consegue volutariar-se ao experimento. A Técnica Ludovico consiste, basicamente, à utilização de drogas em conjunto com algumas sessões de cinema. Durante estas sessões, Alex assiste aos mais variados filmes, como ele mesmo narra:


"- Eu videei filmes mesmo. Fui levado, irmãos, para um cinema diferente de todos que já videei. Fui enfiado numa camisa camisa-de-força; o meu gúliver foi amarrado a um apoio do qual saíam muitos fios. Aí puseram grampos nos meus olhos, para que eu não pudesse fechá-los, por mais que tentasse. (...) Achei tudo muito dóido, mas deixei que fizessem o que queriam fazer. Para ser um maltchique livre novamente em 15 dias eu estava disposto a aguentar muita coisa, oh meus irmãos. (...) O primeiro filme era muito bom, bastante profissional, como aqueles de Hollywood. O som era muito horrorshow. Dava para esluchar os gritos e gemidos com muito realismo, e os maltchiques toltchocadores ofegando ao mesmo tempo. E aí, imaginem só, o nosso bom e velho amigo, o vinho de barril bem tinto, o mesmo em todo lugar, como se fosse feito por uma firma só, começou a escorrer. Era lindo. É engraçado como as cores da vida real só parcem realmente de verdade quando você as videia na tela."








Todos os filmes à que Alex assistia eram sobrecarregados de violência e ele, de repente, começa a se sentir enjoado. Segue o texto, no original:


" - O tempo todo, enquanto assistia, eu começava a me dar conta de que não me sentia tão bem. Atribuí isso a toda aquela comida nutritiva e às vitaminas. Tentei esquecer, concentrando-me no filme seguinte... que mostrava uma jovem devotchka levando o velho entra-sai-entra-sai, primeiro de um maltchique, depois outro, e depois outro. Lá pelo sexto ou sétimo maltchique rindo e esmecando, e mandando ver, eu comecei a passar muito mal. Mas não podia fechar meus glazes. E, mesmo quando tentava desviar o glazar, eu não conseguia sair da linha-de-fogo daquele filme. "
(...)
Alex passa então, com o tratamento, a sentir insuportáveis crises de naúseas toda vez que sente vontade de agir violentamente. E, para sua eterna tristeza, durante o tratamento Ludovico, acidentalmente havia sido introduzida a 9ª sinfonia de Beethoven, o que agora o impossibilitava até mesmo de ouvir a música que tanto estimava.

O que importa dizer é que ele foi solto. Estava novamente livre!

(...)

Já no XXXI ato, após ter ido parar na casa de um escritos a quem outrora tivera feito mal, Alex é testado, e como ele mesmo narra:

" - Acordei, sentindo a dor e a naúsea em cima de mim, como um animal. Aí eu descobri o motivo. A música que estava vindo do chão, era do nosso velho amigo Ludwig Van. Era a temida 9ª sinfonia (...) De repente, videei o que eu precisava fazer, e o que queria fazer. Era acabar comigo mesmo. Me zerar. Ir embora para sempre deste mundo perverso e cruel. Um momento de dor, talvez... e depois o sono. Para sempre, todo o sempre. "

Alex decide, então atirar-se da sacada.

" - Eu pulei, ó meus irmãos, e queda foi feia. Mas não me zerei. Tivesse eu me zerado, não estaria aqui para contar o que contei.
Voltei à vida depois de um longo e negro intervalo, que poderia ter durado um milhão de anos."

(...)

Já no Hospital, Alex recebe a visita do Ministro do Interior - representante do Governo -, que com medo de que a população devido à tragédia vivida por Alex, se posicione contra o Partido, decide fazer uma proposta à Alex. Este último deveria apoiar o Governo em sua campanha eleitoral, enquanto o Partido se encarregaria de proporcionar-lhe uma vida digna, uma bela idenização e um bom emprego.

Alex, demonstrando todo seu sarcasmo, toda sua maneira apolítica de viver, aceita a proposta.

(...)

E o grand finale, engendrado maravilhosamente bem, mostra-nos Alex transando (estuprando) uma jovem devotchka, ao que irônicamente Alex, nosso tão magnífico anti-herói, diz:

" - Eu estava curado! "

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