segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Fahreinheit 451 - Ray Bradbury - (Eu aconselho!)

Quando caiu em minhas mãos, nem sequer imaginei do que se tratava. Relutei algum tempo em lê-lo; com medo, confesso, de que se tratasse de mais uma história bizarra à cerca da vida de um bombeiro que por diversas vezes se viu metido em encrencas. Ah! Como eu estava enganado.

E, para minha eterna felicidade, ainda bem que resolvi ler o prefácio!

(...)

Fahreinheit 451, é um livro especialmente delicioso, uma leitura prazerosa, viciante.

Narra uma história baseada num futuro não muito distante, em que os livros configuram uma grande ameça à sociedade, pois são vistos, agora, como um mal, atráves do qual as pessoas se tornam infelizes. O sarcasmo fica por conta do fato de que os Bombeiros - outrora designados à apagar os incêndios, agora são os responsáveis por queimar qualquer tipo de material impresso.

O romance é centrado no bombeiro Montag, símbolo da sociedade ideal, um homem trabalhador, fiel às regras impostas pelo Estado, casado com Millie, uma mulher futil, que vive sentada à frente da t.v, e que, para sentir-se melhor, usa e abusa de comprimidos antidepressivos.

Porém, num dia aparentemente normal, Montag conhece Clarisse - uma jovem encantadora, extremamente social -, que o faz questionar algumas coisas que lhe pareciam, até então, absolutas, inquestionáveis. E então, apartir desse encontro, a vida de Montag começa a mudar.

(...)

Numa ocorrência, quando são chamados à casa de uma senhora que escondia consigo alguns livros, Montag percebe que há algo de errado, quando a velha senhora nega-se a sair da casa, optando, assim, por ser queimada junto com os livros.

Nosso personagem principal começa, então, a se perguntar o que é que os livros tem de tão bom assim. "Ora, alguma coisa de especial eles devem ter, se não, por que se arriscar tanto por um amontoado de páginas?".

Montag, num ato decidido, resolve levar consigo um livro. Tiraria, a qualquer custo, aquela dúvida. Acontece que o nosso herói apaixona-se pela literatura, entrando num conflito existêncial, já que a sua profissão é eliminar aquilo por que tem tanto amor.

(...)

Montag opta por abandonar a profissão. Resolve anunciar sua saída ao capitão dos bombeiros, este, por sua vez, aceita, pedindo apenas que Montag acompanhe-0 neste último caso. O mais engraçado (e triste ao mesmo tempo) é que o caminhão do corpo de bombeiros dirige-se à casa de Montag, que ao perceber o que estava acontecendo diz: "Mas esta é a minha casa!", e recebe, como resposta, o sorriso sarcástico de Beatty, capitão da companhia.

Ora, nosso Montag havia sido traído pela mulher!

(...)

Os bombeiros entraram na casa, revirando-a de ponta-cabeça, atrás de livros. Beatty, sereno, diz: "O Montag sabe o que procuramos, e como esta é a casa de Montag, melhor seria que ele ajudasse-nos nessa procura." Montag, então, pega todos os livros que havia escondido e os atira no chão, onde seriam, em seguida, queimados para o bem-estar de todos.

Quando todos os livros estavam ali, no chão, esperando pelo fogo, pelas cinzas, Beatty, segurando o incinerador se dirige à Montag, e diz: "Faça-me o favor!".

Montag, por sua vez, pegando o incinerador, sem pensar duas vezes, atea fogo no capitão. Ao que, nesse momento, os outros bombeiros fogem, desesperados. "Ele está louco, Montag eulouqueceu!"

(...)

Nosso herói foge, sem saber ao certo pra onde ía. Quando se dá conta, percebe que está num parque, à beira de um lago. Lá encontra pessoas adoráveis, chamadas de "homens-livros", a parte realmente linda da história começa, então, a ser narrada, muito embora o romance, à essa altura, já esteja no fim.

Acontece que os "homens-livros" são pessoas que de tanto amor aos livros, resolveram, devido à censura, decorar seus romances favoritos, tornando, assim, impossível que as histórias de séculos, milênios, pudessem se perder para sempre.

E assim, não tão bruscramente, nem tampouco secamente, a história de Montag chega ao fim. Ou ao seu início, depende do seu ponto de vista!

(...)

O que importa é que vocês, meus caros amigos, leiam à esta belíssima obra-de-arte. Ah! E se acaso desejarem, tenho comigo um exemplar. Ficaria felicíssimo em emprestá-lo.


"Onde se queimam livros, acaba-se por queimar homens!" - Heinrich Heine -









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